Ilhas flutuantes ajudam a recuperar rios e lagos em Alegre e se tornam alternativa sustentável para o campo

Projeto do Ifes utiliza estruturas com plantas e materiais reciclados para filtrar a água e criar novos ecossistemas em rios e lagos do Espírito Santo.

Por Déborah Sousa

Ilhas flutuantes ajudam a recuperar rios e lagos em Alegre e se tornam alternativa sustentável para o campo
Imagem da TV Gazeta

Uma iniciativa desenvolvida no campus de Alegre do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) tem chamado a atenção pela combinação de sustentabilidade, baixo custo e preservação ambiental. As chamadas ilhas flutuantes, estruturas construídas com plantas e materiais reaproveitados, estão sendo utilizadas para auxiliar na despoluição de rios, lagos e açudes da região.

As plataformas funcionam como filtros naturais capazes de melhorar a qualidade da água. Produzidas com materiais recicláveis, como garrafas PET e resíduos retirados dos próprios cursos d’água, as ilhas criam um ambiente favorável para o desenvolvimento de organismos que contribuem para a remoção de poluentes.

De acordo com o engenheiro ambiental Léo Tannous, o projeto busca reproduzir processos que já acontecem na natureza. Além de colaborar com a recuperação dos ecossistemas aquáticos, a iniciativa também serve como ferramenta de aprendizado para estudantes envolvidos na pesquisa e construção das estruturas.

O estudante de Ciências Biológicas Pedro Victor Apolinário destaca que as ilhas vão além da função de filtragem. Segundo ele, as estruturas contribuem para a formação de um novo ecossistema, atraindo aves, peixes e microrganismos que ajudam na manutenção da qualidade da água.

Outro ponto positivo é o custo reduzido. Como são confeccionadas com materiais reutilizados, as ilhas podem ser instaladas em propriedades rurais sem a necessidade de grandes investimentos, tornando-se uma alternativa acessível para produtores que desejam melhorar a qualidade da água em açudes e reservatórios.

A eficiência do sistema está ligada às espécies vegetais utilizadas. Cada planta possui características próprias e desempenha funções específicas na absorção de nutrientes e matéria orgânica presentes na água. Espécies como aguapé, salvinia e lentilha-d’água são exemplos de vegetação que naturalmente ajudam na limpeza de ambientes aquáticos.

Segundo especialistas do Ifes, essas plantas conseguem absorver resíduos provenientes de esgoto, efluentes e até substâncias relacionadas à atividade agrícola. O uso excessivo de fertilizantes e defensivos agrícolas pode contaminar solos, rios e lençóis freáticos, tornando necessária a adoção de medidas que reduzam esses impactos.

Para a estudante de Agronomia Thay Ciara, a preservação dos recursos hídricos é um desafio que envolve tanto áreas urbanas quanto rurais. Ela ressalta que a contaminação da água pode ocorrer por diversas fontes, incluindo o descarte inadequado de resíduos e o uso de produtos químicos na agricultura.

Mais do que uma técnica de tratamento ambiental, as ilhas flutuantes representam uma solução inspirada na própria natureza. A proposta demonstra que é possível recuperar e proteger recursos hídricos por meio de alternativas sustentáveis, acessíveis e capazes de gerar benefícios para o meio ambiente e para a produção rural.


FONTE: G1
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